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Entrevista: Momento de Decisão na Carreira

 

Entrevista para o Jornal O Diário do Grande ABC

Data: 22/09/2009

 

Alaide Degani de Cantone

Psicóloga Clínica e Hospitalar

Coordenadora do CEPPS Centro de Estudos e Pesquisas

em Psicologia e Saúde

Site www.cepps.com.br

E-mail cepps@cepps.com.br

 

 

Um adolescente de 15 anos está pronto para decidir o futuro profissional? E para encarar compromissos de trabalho?

A adolescência é o período de vida onde ocorrem grandes transformações físicas, psicológicas e sociais. O termo se aplica especificamente ao período da vida compreendido entre a puberdade e o desenvolvimento completo do corpo, cujos limites são fixados geralmente entre os 13 e os 23 anos, podendo-se estender até os 27 anos. Podemos dizer que adolescência é sinônimo de crise, pois o adolescente em busca da identidade adulta passa por um período "turbulento", variável segundo o seu ecossistema sócio-familiar, onde comportamentos considerados como anormais ou patológicos em outras fases do desenvolvimento devem ser considerados normais nessa transição para a vida adulta (KNOBEL, 1999). Dessa maneira, torna-se difícil para uma grande maioria, a decisão do futuro profissional e os compromissos advindos da profissão.

 

Ele sabe lidar com as pressões, exigências e concorrência comuns nas carreiras de modelo, jogador e bailarino?

Nosso planeta tem atualmente cerca de 6 bilhões e meio de pessoas. E cada pessoa é única na sua forma de ser, agir e reagir diante das pressões externas e internas que continuadamente permeiam o nosso cotidiano. Há pessoas mais definidas e determinadas em suas escolhas e outras, não. Essa forma de ser, mais resiliente, isto é, com uma capacidade maior de suportar e superar adversidades, obstáculos e frustrações, se desenvolve ao longo da vida com a participação fundamentalmente, da família. A evolução do ser humano tem início na gestação, no amor com que o pai e a mãe geram um filho; como este nasce e o que ocorre antes, durante e após o nascimento, na forma como é criado um mundo externo facilitador e acolhedor ou rejeitador e frustrante. Assim, a maneira de um adolescente interagir com o mundo tem a ver com a sua história de vida que inicia na vida intra-uterina; na forma de relação que a mãe teve com o seu bebê ainda durante a gestação e, após o nascimento, ao longo da vida, adicionando as outras relações. Os pais, a família, a sociedade, podem estruturar ou desestruturar o indivíduo. De acordo com a sua história de vida o adolescente poderá escolher e decidir com mais segurança seu futuro, ou não. O homem seria então, uma unidade biopsicossocial em constante evolução.

 

Uma escolha errada ou uma decepção na carreira agora pode abalar o emocional dessa pessoa para sempre?

A forma de lidar com más escolhas ou decepções na vida vai depender com a capacidade que o adolescente tem para lidar com adversidades. Alguns vão superar a adversidade e continuar sua trajetória profissional e pessoal, outros, com maior dificuldade de superação, não. Dessa maneira, é indicado fazer psicoterapia para que possa receber ajuda no sentido de desenvolver ou reforçar sua resiliência. Esse trabalho psicoterapêutico envolve trabalhar a auto-estima, a auto-imagem e o auto-conceito do adolescente, alicerces da personalidade.
 

 

Como os pais devem interferir nisso?

Não se pode pensar no indivíduo, no caso o adolescente, desvinculado de sua inserção do meio ambiente. A família é o primeiro grupo de referência e, enquanto estrutura primeira na vida de uma pessoa possibilita as relações da criança com objetos externos, assumindo, juntamente com os fatores constitucionais, uma grande importância para o destino do indivíduo.

Para que o processo da individuação ocorra, para que o adolescente ingresse na maturidade, é de extrema importância que desde bebê, tenha tido condições de ir constituindo, em seu mundo interno, modelos de mãe e de casal parental seguro e carinhoso, onde haja respeito, carinho, normas de conduta, limites e muita comunicação no sentido de compartilhar momentos bons e ruis.

Uma família desestruturada pode vir a contribuir no aparecimento de problemas no desenvolvimento da personalidade do adolescente, gerando conflitos no relacionamento entre os pais. Um jovem, ao vivenciar esses momentos críticos concomitantemente com as transformações biopsicossociais inerentes a esta fase, terá angústias e ansiedades exacerbadas e sua vulnerabilidade será maior.

É fundamental que a família participe dos momentos importantes, felizes ou não, procurando compreender o adolescente nos seus momentos mais adversos, orientando-a e propondo alternativas para a vida. Nem sempre é fácil, mas vale muito a pena.

 

Há algum tipo de dica ou conselho para esses adolescentes que não conseguem se decidir entre a carreira e o vestibular?

Há muitas formas que podem auxiliar o adolescente a decidir sobre a sua carreira profissional, tanto de forma particular, procurando um bom profissional da área, quanto a ongs que propõe, de forma gratuita, a ajudá-lo nessa decisão. Recebi hoje um informativo sobre orientação vocacional gratuito através de uma aluna. Penso que vale a pena conferir http://pro-amanha.ning.com.
 

Aproveito para deixar uma mensagem para a família, educadores e profissionais da Saúde:

 

“Amadurecer é um ato complicado...

Perceber a hora de mudar

é ainda mais difícil,

mas não tanto se encontramos

uma certa figura capaz de abrir

nossos olhos

e mostrar que as possibilidades de vida

são ilimitadas...”

(encontrado no diário de uma menina de 12 anos)


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